Investigação mostra 'reais causas' de alto preço do pedágio no Paraná, diz procurador da Lava Jato
22/02/2018 12:13 em parana

48ª fase foi deflagrada nesta quinta-feira (22); seis pessoas foram presas.

 

procurador do Ministério Público Federal (MPF) Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou que a 48ª fase da Operação Lava Jato tenta mostrar as "reais causas" do usuário pagar preços tão elevados pelo serviço público e que a privatização não leva, necessariamente, ao fim da corrupção.

 

"Tentativa de investigar uma ferida aberta no estado do Paraná que são as altas tarifas", disse Carlos Fernandes Santos Lima.

 

A nova etapa Lava Jato, batizada de Integração, foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (22). Seis pessoas foram presas temporariamente.Um dos presos é o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná (DER/PR), Nelson Leal.

A 48ª fase da operação, conforme a Polícia Federal (PF), apura corrupção, fraude a licitações e lavagem de dinheiro na concessão de rodovias do Paraná.

Segundo Diogo Castor de Mattos, outro procurador do MPF, não há nenhum indicativo de participação do governador Beto Richa (PSDB) nos fatos relacionados. Há suspeita, ainda segundo o Diogo Castor de Mattos, que esse esquema se reproduza em outros estados.

 

"A tarifa é extremamente alta e boa parte é desviada para propósito que não o interesse público", afirmou Diogo Castor de Mattos.

 

 

Pedágio

 

As perícias técnicas realizadas pelo MPF apontaram superfaturamento nos valores das obras das concessionárias.

Um laudo técnico, que usou como parâmetro a tabela do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), da Caixa Econômica Federal, mostrou que o sobrepreço de itens da planilha chegou a 89% em relação ao valor de mercado.

Apesar de existir uma determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) e um estudo técnico que recomendava a redução da tarifa em 18%, a Econorte foi favorecida por dois termos aditivos e um termo de ajuste que aumentaram a tarifa paga pelo usuário em mais de 25%.

G1 tenta contato com a Econorte para comentar o caso.

 

Valor desviado

 

O procurador Diogo Castor de Mattos afirmou que o valor desviado "pode passar de R$ 100 milhões", mas isso demandaria estudos técnicos mais aprofundados.

De acordo com o MPF, a Econorte recebeu cerca de R$ 2,3 bilhões de tarifas pagas pelos usuários entre 2005 e 2015. Deste total, pelo menos R$ 63 milhões foram repassados, conforme o MPF, para empresas de fachada ou sociedades cuja prestação de serviço ou entrega de produtos não foi confirmada.

Uma subsidiária integral em contratos de conservação de rodovias recebeu R$ 343 milhões e R$ 110 milhões, da subsidiária integral, foram repassados a holding do grupo, segundo o MPF.

 

Busca e apreensão na Casa Civil

 

No início da manhã, a Casa Civil – que fica no Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná –, foi alvo de mandado de busca e apreesão. O delegado Igor Romário de Paula afirmou que essa busca foi "limitada à mesa de trabalho" de um dos investigados: Carlos Nasser.

Carlos Nasser é funcionário com cargo em comissão da Casa Civil, além de ser considerado homem de confiança de Beto Richa.

O governo estadual informou vai se manifestar assim que tomar ciência de todas as informações relacionadas à 48ª fase da Lava Jato.

Veja mais notícias do estado no G1 Paraná.

COMENTÁRIOS